Operações e Sustentabilidade em ONGs
O backstage da missão: ciclo do programa e da parceria em 10 etapas com entregáveis, MROSC vigente (plano de trabalho art. 22, custos indiretos sem teto, compras art. 34 VIII, alterações, monitoramento e prestação de contas 90/30/60, regras do Decreto nº 11.948/2024, Transferegov, Mapa das OSC, vigência ≤ 10 anos), qualidade programática com ToC e MEAL, matriz de riscos 5×5 preenchida, plano de continuidade, painel de 13 KPIs, os 4 pilares da sustentabilidade, reserva operacional, retenção de doadores, TIC OSCs 2025 e LGPD, com sete exemplos numéricos resolvidos, quatro casos reais de operação (Habitat, TETO, BRAC e MSF), a armadilha de conformidade de 2026, erros comuns e questões de prática.
A governança decide para onde a entidade vai; as operações decidem se ela chega lá. É no backstage, ciclo do programa, compras, financeiro, pessoas, dados, riscos e prestação de contas, que a promessa feita ao doador e ao poder público se transforma (ou não) em entrega verificável. Por isso a frase que abre esta lição é também a régua dela: captação sem operação é promessa não cumprida; operação sem captação é projeto que morre.
Há um segundo motivo para estudar operações com rigor normativo. Desde a Lei nº 13.019/2014 (MROSC), alterada pela Lei nº 13.204/2015 e regulamentada no âmbito federal pelo Decreto nº 8.726/2016 (redação dada pelos Decretos nº 11.661/2023 e 11.948/2024), a maior parte do ciclo da parceria é exigência legal expressa, e não boa prática opcional. Apostila desatualizada, o famoso "teto de 15% de custos indiretos" (art. 47, revogado), é hoje uma das fontes mais comuns de erro em proposta, em prestação de contas e em prova.
Como ler esta lição. Todo número estatístico vem com fonte e ano. Toda regra jurídica vem com artigo e dispositivo vigente (texto compilado conferido em 03/10/2026). Os itens que a pesquisa não conseguiu confirmar estão isolados na seção 12, rotulados como não verificados, e não devem ser citados como fato.
Nesta lição você vai:
- mapear o ciclo do programa/parceria em 10 etapas, com entregável, responsável, prazo-tipo e base normativa;
- dominar o MROSC vigente: plano de trabalho (art. 22), despesas e custos indiretos (art. 46), compras (art. 34, VIII), alterações (art. 57), monitoramento (art. 58) e prestação de contas (arts. 64 a 72);
- montar uma lógica de intervenção completa, do insumo ao impacto, com custo por beneficiário calculado;
- preencher uma matriz de riscos 5×5 e escrever um plano de continuidade com gatilho e prazo;
- montar um painel de 13 KPIs e um dashboard de uma página;
- calcular a reserva operacional mínima, a retenção de doadores e o custo de captação;
- ler os 4 pilares da sustentabilidade e o retrato brasileiro (CAF/IDIS 2025, ABCR, TIC OSCs 2025);
- estudar 4 casos reais de operação (Habitat, TETO, BRAC e MSF) e extrair a lição operacional de cada um;
- reconhecer os erros comuns que derrubam parceria, auditoria e reputação.
1. Operações: o backstage da missão
1.1 Vocabulário mínimo
- Operações = backstage da missão: ciclo do programa, compras, financeiro, pessoas, dados, riscos e prestação de contas.
- Sustentabilidade = manter a missão no tempo, em várias dimensões: a formulação adotada neste curso é de 4: financeira, programática, humana/organizacional e ambiental/comunitária.
Não há um padrão único de "4 pilares". O OSAT (Organizational Sustainability Assessment Tool) trabalha com 5 capitais (human, organizational, financial, social, intellectual); León (2001) descreve 4 pilares da sustentabilidade financeira (planejamento, diversificação da receita, gestão adequada e receitas próprias). Em prova e em relatório, siga a formulação do enunciado e cite a fonte: não atribua a contagem de 4 ao autor sem abrir a obra.
1.2 A régua das duas metades
Se você só faz... | O que acontece |
|---|---|
Captação sem operação | Promessa não cumprida: o recurso entra, a entrega não sai, a glosa e a reputação vêm depois |
Operação sem captação | Projeto que morre: a entrega é boa e o caixa some no meio da vigência |
Captação e operação, sem indicadores | Atividade aprovada, impacto indemonstrável, o relatório vira narrativa |
Captação, operação e indicadores | Missão no tempo: dá para provar, corrigir e renovar |
- 🔢 Você sabia? Segundo o Panorama das ONGs / World Giving Report 2025 (CAF + IDIS, com 170 organizações pesquisadas entre março e junho de 2025), 81% das organizações brasileiras citam a sustentabilidade financeira entre os 3 desafios urgentes: média global de 80%. A média de fontes de financiamento é de 3,9 por organização e 68% dos recursos são restritos.
2. O ciclo do programa e da parceria: 10 etapas
2.1 O mapa completo, com entregável e base normativa
As etapas 3 a 9 são exigência legal expressa do MROSC; as etapas 1, 2 e 10 são boas práticas de gestão de projetos (PM4NGOs e SPHERE). Ler o ciclo assim, e não como "fases de projeto genéricas", é o que separa uma ONG que passa em auditoria de uma que só "entrega relatório".
# | Etapa | Entregável mínimo | Responsável | Prazo-tipo | Base |
|---|---|---|---|---|---|
1 | Diagnóstico | Nota de diagnóstico territorial | Técnica + comunidade | 2 a 6 sem | Boa prática (ToC) |
2 | Desenho | Teoria da Mudança + matriz de indicadores | Coordenação de M&A | 1 a 3 sem | MEAL DPro |
3 | Planejamento | Plano de trabalho (I a IV) + orçamento | Direção + financeiro | 15 dias após a seleção (âmbito federal) | Lei art. 22; Decreto art. 25 |
4 | Seleção/captação | Edital ou proposta; orçamento por linha | Captação | Exposição ≥ 30 dias (chamamento) | Lei arts. 24 a 32; Decreto art. 11 |
5 | Celebração | Instrumento + anexos (plano + regulamento de compras) | Jurídica + direção | Antes do 1º desembolso | Lei art. 35; art. 34, VIII |
6 | Execução | Compras documentadas, relatórios mensais, conta específica | Administrativo + técnica | Contínuo | Lei arts. 46, 51 e 53 |
7 | Monitoramento e avaliação | Painel de indicadores + pesquisa de satisfação | M&A | Trimestral; satisfação ≥ 1×/ano (vigência > 1 ano) | Lei art. 58, § 2º |
8 | Alterações | Termo aditivo ou certidão de apostilamento | Gestor público + OSC | Pedido com ≥ 30 dias de antecedência do fim | Lei arts. 55 e 57; Decreto art. 43 |
9 | Prestação de contas | REO + REF (+ visita in loco e relatório de M&A) | Financeiro + técnica | Anual; finais em 90/30/60 dias | Lei arts. 66 e 69; Decreto arts. 59 e 65 |
10 | Encerramento | Avaliação final, bens, sobras e lições | Direção + conselho | Bens e saldos em até 30 dias | Lei art. 67 |
A etapa 5 é a porta de entrada de quase toda dor operacional. O art. 35 da Lei nº 13.019/2014 manda anexar ao instrumento o plano de trabalho e o regulamento de compras (art. 34, VIII). Entidade que celebra sem regulamento de compras aprovado pela administração celebrante chega na etapa 6 sem regra para comprar, e, na etapa 9, sem como demonstrar que o preço foi compatível com o mercado.
2.2 Exemplo prático 1: lógica de intervenção completa (retenção escolar, 12 meses)
Problema: evasão de 30% em 2 turmas de ensino médio. A cadeia inteira cabe em uma página, e é exatamente o que o Relatório de Execução do Objeto pede: metas × resultados.
LÓGICA DE INTERVENÇÃO — RETENÇÃO ESCOLAR (12 MESES)
=================================================================
INSUMOS ATIVIDADES PRODUTOS
2 educadores 96 oficinas 240 alunos
(R$ 14.400/mês) 480 mentorias frequência ≥ 85%
material didático 12 reuniões 90% das mentorias
(R$ 2.400/mês) com as famílias concluídas
| | |
`------------------------+------------------------'
v
RESULTADOS (12 MESES)
evasão 30% → ≤ 15% · +10 p.p. de frequência
70% das famílias com rotina de estudo
|
v (com contragrupo, 24 meses)
IMPACTO
+8 p.p. de aprovação na escola
=================================================================
CUSTO: R$ 216.000 ÷ 240 alunos = R$ 900 / aluno / ano
(é este número que vai ao edital, ao doador e ao painel)
=================================================================Como a conta de custo foi feita: insumos de R 2.400 = R$ 16.800/mês × 12 meses = R$ 201.600 de equipe e material, mais custos indiretos e logística até completar R$ 216.000/ano; divididos por 240 alunos, dá R$ 900 por aluno/ano. Os produtos ("240 alunos; frequência ≥ 85%; 90% das mentorias") são exatamente os parâmetros de aferição das metas exigidos pelo art. 22, IV, da Lei nº 13.019/2014: não são enfeite de projeto, são o contrato.
Erro comum: confundir produto com resultado. "96 oficinas realizadas" é produto (atividade entregue); "evasão de 30% para 15%" é resultado (mudança verificada). Relatório que só lista produtos vende atividade, não mudança, e é o relatório que leva glosa de metas descumpridas sem justificativa (art. 64, e § 1º, da Lei nº 13.019/2014).
2.3 A etapa na prática: o que precisa existir para cada entrega
Nada de teoria solta: cada etapa tem uma prova material que alguém consegue abrir e mostrar. Se a prova não existe, a etapa não aconteceu.
- Etapa 1: Diagnóstico: nota territorial com dados do território, escuta da comunidade e identificação do problema real (e não do problema que o financiador quer financiar). Entregável: documento assinado pela coordenação técnica e por representantes do território.
- Etapa 2: Desenho: Teoria da Mudança escrita (insumo → atividade → produto → resultado → impacto) e matriz de indicadores com nome, fórmula, fonte, frequência e meta. Sem ela, a etapa 7 não tem o que aferir.
- Etapa 3: Planejamento: plano de trabalho com os arts. 22, I a IV e orçamento compatível com o Decreto art. 25; no âmbito federal, o envio é esperado em até 15 dias contados da seleção.
- Etapa 4: Seleção/captação: edital ou proposta com exposição mínima de 30 dias no chamamento público e orçamento por linha de despesa, com custos indiretos discriminados.
- Etapa 5, Celebração: instrumento assinado com anexo I (plano de trabalho) e anexo II (regulamento de compras aprovado), e isso antes do primeiro desembolso.
- Etapa 6: Execução: compras processadas conforme o regulamento, conta e escrituração segregadas por fonte, relatórios mensais de execução e evidências arquivadas (nota fiscal, recebimento, ata, foto, assinatura do beneficiário).
- Etapa 7: M&A: painel atualizado trimestralmente e, nas parcerias com vigência superior a 1 ano, pesquisa de satisfação com os beneficiários, sempre que possível, pelo menos uma vez por exercício (art. 58, § 2º).
- Etapa 8: Alterações: pedido protocolado com ≥ 30 dias de antecedência do fim da vigência; aditivo quando amplia o valor global em até 50%, apostilamento nas demais hipóteses, e remanjamento de até 10% dispensa autorização prévia.
- Etapa 9: Prestação de contas: REO + REF + evidências, com as contas finais em até 90 dias (art. 69) e, no federal, REO em 30 dias e REF em 60 dias da notificação (Decreto art. 65).
- Etapa 10: Encerramento: avaliação final com lições aprendidas, bens e saldos tratados em até 30 dias (art. 67) e destino dos bens e sobras previsto no instrumento.
Regra prática de gestão documental: arquive cada evidência na etapa em que ela nasce, não na etapa 9. A guarda dos documentos de parceria segue a retenção de 10 anos (art. 68 da Lei nº 13.019/2014), e a reconstrução de um processo de dois anos depois do pedido de auditoria custa muito mais do que tê-lo organizado por etapa.
3. MROSC vigente: o que a operação precisa dominar
3.1 Plano de trabalho: art. 22 (redação da Lei nº 13.204/2015)
O plano de trabalho é o documento-âncora da parceria. Hoje ele contém:
- I: descrição da realidade da comunidade/território e o nexo entre o objeto e essa realidade;
- II: metas e atividades a serem desenvolvidas;
- II-A: previsão de receitas e despesas;
- III: forma de execução do objeto;
- IV: parâmetros de aferição das metas.
Os incisos V a X e o parágrafo único foram revogados pelo art. 9º, II, da Lei nº 13.204/2015: saíram do art. 22 as cotações, o plano de aplicação, a estimativa de encargos, o cronograma de desembolso (VIII), a periodicidade da prestação de contas (IX) e os prazos de análise.
No âmbito federal, o Decreto nº 8.726/2016, art. 25, repõe o detalhe operacional:
Inciso do art. 25 do Decreto | Exigência |
|---|---|
III | Metas quantitativas e mensuráveis |
IV | Indicadores e documentos de aferição |
V | Despesas com discriminação dos custos indiretos |
VI | Cronograma de desembolso |
VII | Pagamentos em espécie, quando cabíveis |
§ 1º (red. Decreto nº 11.948/2024) | Compatibilidade dos custos com o mercado por um elemento: contratação similar ≤ 3 anos, ata de registro de preços, tabelas de associação/referenciais ou pesquisa em mídia/site especializado |
- 🔢 Você sabia? Os prazos-chave da prestação de contas do MROSC formam a tríade 90/30/60: a OSC entrega as contas finais em até 90 dias (Lei art. 69); no âmbito federal, o Relatório de Execução do Objeto (REO) final em até 30 dias e o Relatório de Execução Financeira (REF) em até 60 dias da notificação (Decreto art. 65), prorrogáveis por 15 dias.
3.2 Despesas permitidas e vedações: arts. 45 e 46
- Art. 46 (red. Lei nº 13.204/2015): despesas admitidas nos incisos I a IV: despesas com equipe e diárias, aquisição de materiais e serviços, custos indiretos necessários à execução do objeto, seja qual for a proporção (inciso III) e equipamentos, na forma do plano.
- Art. 45 veda o uso dos recursos para finalidade alheia e para pagamento a servidor público em razão do cargo.
3.3 Monitoramento e avaliação: arts. 58 e 59
- Art. 58: monitoramento e avaliação da execução do objeto.
- § 2º: parceria com vigência superior a 1 ano: a administração fará, sempre que possível, pesquisa de satisfação com os beneficiários, usando os resultados para reorientar e ajustar metas e atividades.
- Art. 59, § 1º, II, o relatório de M&A analisa o impacto do benefício social pelos indicadores aprovados.
A pesquisa de satisfação do art. 58, § 2º, é o elo entre operação e sustentabilidade programática: ela é a única exigência legal que manda a administração a ouvir quem recebe e a mudar o plano com base nisso. Em parcerias de 2 anos ou mais, marque-a como recorrência anual no calendário de M&A.
3.4 Prestação de contas: arts. 64, 66, 69 e 72
Regra | Dispositivo |
|---|---|
Glosa de metas descumpridas sem justificativa | art. 64, caput e § 1º |
Relatório de Execução do Objeto (REO) + Relatório de Execução Financeira (REF) | art. 66 |
Contas finais em até 90 dias do fim da vigência | art. 69 |
Classificação: regulares / com ressalva / irregulares | art. 72 |
Irregular = descumprimento injustificado de objetivos e metas | art. 72, III, "b" |
§ 2º: ações compensatórias de interesse público | art. 72, § 2º |
Âmbito federal: Relatório Parcial (anual) | Decreto art. 59, § 3º |
Âmbito federal: REO final 30 dias / REF 60 dias da notificação (+15) | Decreto art. 65 |
3.5 Transparência ativa e atuação em rede
- Art. 10: a administração pública publica as informações da parceria em até 180 dias após o encerramento da vigência;
- Art. 11: a OSC divulga, em seu site, CNPJ, objeto, valores, situação das contas e, pelo inciso VI, o valor total da remuneração da equipe, as funções que seus integrantes desempenham e a remuneração prevista;
- Art. 35-A: em atuação em rede, a OSC celebrante precisa de pelo menos 5 anos de CNPJ e de supervisão comprovada, além do termo de atuação em rede;
- Plataforma federal: Transferegov.br (Decreto nº 11.661/2023), e a guarda documental segue a retenção de 10 anos (art. 68).
Tema | Dispositivo | Uso operacional |
|---|---|---|
Conteúdo do plano de trabalho | Lei art. 22, I a IV | Documento-âncora da parceria |
Detalhamento federal do plano | Decreto art. 25, I a VII e § 1º | Metas mensuráveis, indicadores, custos indiretos, desembolso, preços |
Despesas permitidas | Lei art. 46, I a IV | Equipe, diárias, custos indiretos sem teto, equipamentos |
Vedações | Lei art. 45 (caput, I e II) | Finalidade alheia; pagamento a servidor público |
Compras e contratações | Lei art. 34, VIII + anexos; art. 80 | Regulamento aprovado; sistema eletrônico admitido |
Alterações | Lei art. 57; Decreto art. 43 (+ § 4º) | Aditivo × apostilamento; 10% sem autorização prévia |
Monitoramento e avaliação | Lei arts. 58 e 59; Decreto art. 53 | Pesquisa de satisfação (vigência > 1 ano) |
Prestação de contas | Lei arts. 63 a 66, 69 e 72; Decreto arts. 54, 55, 59 e 65 | Relatórios, prazos, classificação e glosa |
Transparência | Lei arts. 10 e 11 | Publicação ativa, inclui remuneração da equipe |
3.6 O que o Decreto nº 11.948/2024 acrescentou à rotina (e a apostila não conta)
Toda a seção 3 já usa o Decreto nº 8.726/2016 com a redação dos Decretos nº 11.661/2023 e 11.948/2024, de 12/03/2024. Este é o que consolidou a execução do MROSC, e sete pontos dele só entram na rotina da equipe se alguém os escrever no fluxo de trabalho:
- Prestação de contas no Transferegov.br (Decreto, art. 55): a plataforma deixou de ser "canal de envio" e passou a ser o local da prestação de contas federal;
- Relatório de execução financeira (REF) disciplinado no regulamento federal, fechando o pacote do art. 66 da Lei;
- Divulgação no Portal da Transparência e no Mapa das OSC (Decreto, red. 2024, § 4º): a parceria vira dado público pesquisável;
- Vigência total de até 10 anos (Decreto, art. 21): planejamento plurianual lícito, com as alterações disciplinadas no art. 43;
- Contrapartida: só em bens e serviços, em parceria superior a R$ 1.000.000,00, com justificativa técnica: contrapartida financeira é vedada (Decreto, arts. 11-A, 12 e 12-A);
- Bens remanescentes: destinação prevista à própria OSC, na forma do regulamento;
- O que a tríade 90/30/60 não cobre: a manifestação da administração sobre a prestação de contas final ocorre em até 150 dias do recebimento ou do cumprimento da diligência (Lei nº 13.019/2014, art. 71), e o silêncio não impede apreciação posterior nem medidas saneadoras.
Tabela: norma × vigência (o que está em vigor e o que a operação deve cumprir):
Norma | Vigência (data verificada) | Regra operacional correspondente |
|---|---|---|
Decreto nº 11.948/2024 | 12/03/2024 | Apostilamento com dispensa de autorização prévia até 10% do valor global e comunicação posterior (art. 43, §§ 4º e 5º); prestação de contas no Transferegov.br (art. 55); divulgação no Portal da Transparência e no Mapa das OSC (§ 4º); vigência total ≤ 10 anos (art. 21); contrapartida financeira vedada (arts. 11-A, 12 e 12-A) |
Decreto nº 11.661/2023 | vigente | Transferegov.br como plataforma única da parceria federal |
Decreto nº 8.726/2016 | vigente, com redação dos Decretos nº 11.661/2023 e 11.948/2024 | Plano de trabalho detalhado (art. 25, I a VII e § 1º); REO em 30 dias e REF em 60 dias da notificação, prorrogáveis por 15 (art. 65) |
Lei nº 13.019/2014 | vigente, com redação da Lei nº 13.204/2015 | Contas finais em 90 dias (art. 69); apreciação em até 150 dias (art. 71); pesquisa de satisfação em vigência > 1 ano (art. 58, § 2º) |
Regra de uso desta tabela: em 2026, o que muda não é a lei: é o regulamento, a plataforma e a publicidade. Antes de protocolar qualquer alteração, confira três caixinhas: o pedido está no Transferegov (art. 55), o ajuste cabe em apostilamento até 10% (art. 43, §§ 4º e 5º) e a divulgação já foi prevista no fluxo (Portal da Transparência + Mapa das OSC). O que não estiver nesses três lugares é pendência, não detalhe.
4. Compras, custos indiretos e a armadilha do "teto de 15%"
4.1 Compras: art. 34, VIII, e anexos
A OSC não é submetida à Lei nº 14.133/2021 de forma direta, mas também não compra "como quer". O regime é este:
- a entidade precisa de um regulamento de compras e contratações: próprio ou de terceiro;
- esse regulamento deve ser aprovado pela administração pública celebrante e observar os princípios do art. 37, caput, da Constituição (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência);
- o regulamento é anexo II do instrumento; o anexo I é o plano de trabalho;
- o art. 80 admite o processamento em sistema eletrônico;
- os arts. 43 e 44 foram revogados: quem exige hoje é o art. 34, VIII.
4.2 Custos indiretos: sem teto, mas com memória de cálculo
- Art. 46, III (red. Lei nº 13.204/2015): "custos indiretos necessários à execução do objeto, seja qual for a proporção".
- Art. 47, o "teto de 15%", FOI REVOGADO (Lei nº 13.204/2015, art. 9º, II).
- Taxa de administração/gerência é proibida (orientação da MPCE).
- Rateio com outras fontes exige memória de cálculo, sendo vedada duplicidade ou sobreposição (Decreto nº 8.726/2016, art. 56, § 2º).
A pegadinha normativa mais cara do setor: usar artigos revogados como teto. Material desatualizado ainda manda "limitar custos indiretos em 15% (art. 47)" e "remanejamento de até 25% (art. 56 da Lei)": ambos revogados pela Lei nº 13.204/2015, art. 9º, II. O que vale hoje: custos indiretos sem teto (art. 46, III), remanejamento de até 10% do valor global sem autorização prévia, com comunicação posterior (Decreto nº 8.726/2016, art. 43, § 4º, red. Decreto nº 11.948/2024) e ampliação do valor global por termo aditivo de até 50% (mesmo art. 43). Apostilamento nas demais hipóteses (Lei art. 57). Invocar o art. 47 como limite em proposta é erro de prova e erro de orçamento.
4.3 O triângulo que ninguém deve confundir
Conceito | O que é | Regra aplicável |
|---|---|---|
Compras | Como a entidade adquire bens e serviços | Regulamento de compras aprovado (art. 34, VIII); princípios do art. 37 da CF; sistema eletrônico (art. 80) |
Custos indiretos | Custo necessário à execução (coordenação, contabilidade, estrutura) | Art. 46, III: sem teto, com discriminação no plano (Decreto art. 25, V) e memória de cálculo no rateio |
Taxa de administração/gerência | Percentual cobrado pela gestão | Vedada: não confundir com custo indireto |
4.4 Alterações: aditivo ou apostilamento (art. 57)
Situação federal (Decreto nº 8.726/2016, art. 43) | Instrumento |
|---|---|
Ampliação do valor global de até 50% | Termo aditivo |
Demais hipóteses (inclusive remanejamento entre itens sem mudar o total) | Apostilamento (certidão) |
Remanejamento de até 10% do valor global, sem alteração do total | Dispensa de autorização prévia, com comunicação posterior (§ 4º) |
Erro comum de calendário: pedir aditivo ou apostila na véspera. A prática operacional segura é protocolar o pedido com pelo menos 30 dias de antecedência do término da vigência (etapa 8 do ciclo), porque qualquer atraso empurra a etapa 9, e a prestação de contas continua correndo.
Caso resolvido: quanto dá para mexer em uma parceria de R$ 400.000. Parceria federal celebrada por R$ 400.000,00, sem alteração do valor global:
- Ampliação do valor global por termo aditivo: até 50% = R$ 200.000,00 de acréscimo máximo (R$ 600.000,00 no total);
- Remanejamento entre itens sem mudar o total: até 10% = R$ 40.000,00, sem autorização prévia, com comunicação posterior (Decreto art. 43, § 4º);
- Abaixo de R$ 40.000,00: mesma regra, mas a decisão operacional segura é registrar por apostila mesmo assim: a certidão é a prova de que o remanejamento foi comunicado;
- Acima de R$ 40.000,00: termo aditivo; acima de 50% de ampliação (R$ 200.000,00): o aditivo não alcança: reabre-se a discussão do instrumento conforme o regulamento da esfera, com nova seleção.
Os 10% valem por parceria, não por item. O erro mais frequente é somar remanejamentos de "só R$ 15.000 em cada item" até estourar o limite global. Some sempre sobre o valor global do instrumento, e registre a memória de cálculo no processo.
4.5 Como funciona o processo de compra na prática
Com o regulamento aprovado (art. 34, VIII), o fluxo operacional padrão é este:
- Necessidade formalizada: requisição com especificação técnica, quantidade, prazo e centro de custo (fonte de recurso);
- Pesquisa de compatibilidade de preços: um dos elementos do Decreto art. 25, § 1º (red. Decreto nº 11.948/2024): contratação similar nos últimos 3 anos, ata de registro de preços, tabelas de associação/referenciais ou pesquisa em mídia/site especializado;
- Cotações internas conforme o regulamento próprio (faixa de valor, número de fornecedores, forma de julgamento);
- Julgamento documentado: ata/comparativo assinado, com justificativa de escolha quando houver divergência relevante;
- Contratação e pedido: instrumento adequado ao valor, com as cláusulas do regulamento;
- Recebimento e conferência: quantidade, qualidade e conformidade, com assinatura de quem recebe;
- Pagamento: segregado por fonte e por etapa do plano de trabalho;
- Arquivamento: processo completo, pronto para a etapa 9 e para a retenção de 10 anos (art. 68).
O que o regulamento precisa dizer | Por quê |
|---|---|
Faixas de valor e formas de julgamento | Sem faixa, "cotação" vira escolha discricionária |
Quem é o agente de compra e quem aprova | Separa requisição, julgamento e aprovação |
Critério de aceitabilidade técnica e de preço | É a base da compatibilidade com o mercado |
Regras de urgência e emergência | Evita burla do fluxo em prazo apertado |
Conflito de interesse e impedimento | Vincula o art. 45 (vedação a finalidade alheia) |
Registro e guarda das evidências | Sustenta o art. 66 e a retenção do art. 68 |
O MROSC não aplica à OSC a Lei nº 14.133/2021 de forma direta, mas o art. 34, VIII, exige que o regulamento de compras observe os princípios do art. 37, caput, da Constituição (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência). Na prática, o regulamento privado é o mecanismo que traduz esses princípios para a realidade da entidade.
- 🔢 Você sabia? Compras ≠ custos indiretos ≠ taxa de administração. São três regimes distintos dentro do mesmo MROSC: o art. 34, VIII, disciplina como comprar; o art. 46, III, diz o que pode ser custo indireto (sem teto); e a taxa de administração é vedada. Confundir os três é o caminho mais curto para uma proposta com orçamento rejeitado.
Ordene o fluxo completo de uma compra em parceria pelo MROSC: da necessidade formalizada ao arquivo do processo:
Como responder
Exercício de ordenação com 8 itens. Coloque-os na ordem correta e verifique a resposta.
Ordene o fluxo de compra de uma OSC em parceria pelo MROSC, da necessidade ao arquivo:
5. Qualidade programática: Teoria da Mudança, MEAL e SPHERE
5.1 Os referenciais de qualidade
- PM4NGOs: Project DPro (PMD Pro, 2ª edição), ciclo de projeto; MEAL DPro (2023), monitoramento, avaliação, responsabilização e aprendizagem.
- SPHERE 2018, em português: normas mínimas de qualidade com indicadores de processo e de progresso, o padrão internacional de resposta humanitária traduzido para o PT-BR.
- Teoria da Mudança / modelo lógico: é o pré-requisito do indicador. Sem a cadeia insumo → atividade → produto → resultado → impacto, qualquer "indicador" vira número solto.
5.2 Os quatro níveis de indicador
Nível | O que mede | Exemplo numérico |
|---|---|---|
Insumo (input) | Recursos investidos | R$ 216.000/ano; 2 educadores; 96 oficinas |
Produto (output) | Entregas verificáveis | 240 alunos matriculados; 480 mentorias concluídas |
Resultado (outcome) | Mudança decorrente da entrega | Evasão de 30% → ≤ 15%; +10 p.p. de frequência |
Impacto (impact) | Mudança de longo prazo, com contragrupo | +8 p.p. de aprovação em 24 meses |
A cadeia só é auditável se os parâmetros forem declarados antes de começar. É por isso que o art. 22, IV, da Lei nº 13.019/2014 exige parâmetros de aferição das metas e o Decreto nº 8.726/2016, art. 25, III e IV, exige metas quantitativas e mensuráveis com indicadores e documentos de aferição. Definir meta depois da execução é a forma mais rápida de transformar uma prestação de contas em "com ressalva" ou "irregular" (art. 72).
5.3 A ficha do indicador: o mínimo que precisa estar escrito
Cada indicador da matriz da etapa 2 precisa sair do papel com seis campos: sem eles, ele não sobrevive a uma auditoria:
Campo | Conteúdo | Exemplo (do exemplo 2.2) |
|---|---|---|
Nome | Como o indicador se chama | Taxa de evasão anual |
Fórmula | Cálculo exato | (matriculados no início − matriculados no fim) ÷ matriculados no início |
Fonte | De onde vem o dado | Diário de classe / sistema acadêmico |
Frequência | Quando é medido | Semestral, com consolidação anual |
Meta | O valor-alvo declarado no plano | ≤ 15% ao final de 12 meses |
Evidência | O que comprova o número | Relatório assinado + base de dados anexada ao REO |
Rotina de M&A sugerida (cadência):
- Mensal: reunião de execução: % de metas, gargalos e evidências faltantes;
- Trimestral: painel para a coordenação e para o conselho (13 KPIs);
- Semestral: revisão da Teoria da Mudança: a cadeia ainda descreve a realidade?
- Anual: pesquisa de satisfação (prevista nas parcerias com vigência > 1 ano, "sempre que possível", art. 58, § 2º), avaliação de sustentabilidade (seção 8.6) e atualização da matriz de riscos (seção 6).
MEAL DPro (PM4NGOs, 2023) organiza exatamente esse ciclo: Monitoramento, Evaluação, Accountability (responsabilização) e Learning (aprendizagem). A letra "L" é a que as ONGs mais esquecem, e é a que transforma dado em melhoria do programa no ano seguinte.
6. Gestão de riscos e continuidade
6.1 O que (não) é obrigatório
Nenhuma norma brasileira obriga OSC a adotar ISO ou COSO. Na prática voluntária, porém, o padrão usado é a ABNT NBR ISO 31000:2018, ciclo de escopo → identificação, análise e avaliação → tratamento → monitoramento, com quatro respostas de tratamento: eliminar, reduzir, compartilhar/transferir e aceitar, frequentemente combinado ao COSO ERM (2017).
Caso brasileiro de referência: o Instituto Crescer publica o Manual de Gestão de Riscos Institucionais (ISO 31000 + ISO 31073 + COSO), com matriz 5×5 e a noção de apetite e tolerância a riscos: modelo que serve de base à tabela da seção 6.2.
6.2 Exemplo prático 2: matriz de riscos 5×5 preenchida
Escala 1 a 5 (probabilidade × impacto). Risco crítico exige dono, resposta e gatilho datado.
Risco | Categoria | Prob. | Impacto | Nível | Resposta | Dono | Gatilho |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
Perda do maior financiador (62% da receita) | Financeiro | Alta (4) | Catastrófico (5) | 20: crítico | Reduzir: diversificar + 6 meses de reserva | Direção | % da maior fonte > 30% |
Glosa por meta descumprida | Legal/financeiro | Média (3) | Severo (4) | 12: alto | Reduzir: M&A mensal + evidências | Coord. de M&A | % de metas sem evidência > 10% |
Vazamento de dados de beneficiários (LGPD) | Dados/reputação | Baixa (2) | Catastrófico (5) | 10: alto | Reduzir: inventário, criptografia, RIPD | Encarregado | Incidentes por ano |
Falta de salvaguarda em atividade com crianças | Ético/legal | Média (3) | Catastrófico (5) | 15: crítico | Eliminar: política + 100% treinados | Técnica | % de equipe treinada |
Rotatividade da equipe técnica > 30%/ano | Humano | Alta (4) | Moderado (3) | 12: alto | Reduzir: planos de cargos, clima | RH | Turnover anual |
Indisponibilidade do sistema por 5 dias | Operacional | Baixa (2) | Moderado (3) | 6: médio | Transferir (backup) + aceitar parcial | TI | % de backups testados |
Evento com público abaixo do previsto | Programático/financeiro | Média (3) | Leve (2) | 6: médio | Compartilhar (seguro) + reduzir fixo | Eventos | % vendido em D−30 |
6.3 Exemplo prático 3: matriz de riscos de um evento (feira de captação)
Feira de captação para 1.500 pessoas, orçamento de R$ 90.000:
- R1: chuva forte: 4 × 4 = 16, crítico → reduzir (toldo, seguro de R$ 3.500, ensaio de montagem), gatilho: alerta do INMET 48 h antes;
- R2: patrocinador titular desiste: 3 × 5 = 15, crítico → compartilhar (cláusula de substituição + 2 reservas), gatilho: termo assinado até 60 dias antes;
- R3: lucro abaixo de R$ 30.000: 4 × 2 = 8, médio → aceitar, com piso: cancelar se as inscrições forem < 60% em D−30.
6.4 Exemplo prático 4: plano de continuidade (perda do financiador principal)
Cenário: um financiador responde por 62% da receita e comunica não renovação.
Momento | Ação | Decisão/número |
|---|---|---|
Preparação | Fonte única ≤ 30%; reserva de 3 a 6 meses; aviso contratual de 90 dias | Guard-rail permanente |
Gatilho | Comunicação formal de não renovação | Abre o plano |
72 h | Comitê de crise; congela contratações; mapeia custos fixos; aborda os 5 maiores doadores para apoio irrestrito; reprograma metas (apostila/aditivo) | Sem decisão em 72 h, o caixa decide por você |
Dia 30 | Três cenários escritos | A: cortar 20% do custo fixo · B: encerrar 1 de 3 projetos · C: fusão de execução |
Dia 90 | Caixa ≥ 3 meses em qualquer cenário | Despesa mensal de R$ 85.000 → reserva de R$ 255.000 (3 meses) ou R$ 510.000 (6 meses) |
Por que a reserva é calculada em livre e não em total: 68% dos recursos são restritos (CAF/IDIS, World Giving Report 2025), e recurso restrito não cobre o núcleo administrativo. A reserva que existe só no papel, toda ela comprometida com projeto, não é reserva.
6.5 A rotina de riscos: do workshop ao relatório
Uma matriz de riscos só vale se for viva. A rotina que funciona em OSC brasileira é curta e datada:
Momento | Atividade | Participantes | Saída |
|---|---|---|---|
Anual (ou na celebração de parceria nova) | Workshop de identificação e avaliação | Direção, técnica, financeiro, TI e jurídica | Matriz 5×5 atualizada |
Mensal | Leitura dos gatilhos datados | Coordenação | Alertas e ações corretivas |
Trimestral | Revisão dos riscos críticos e altos | Direção | Dono, resposta e prazo confirmados |
Semestral | Teste de plano de continuidade (mesa) | Comitê de crise | Lições e ajustes do plano |
Em cada incidente | Registro e tratamento | Encarregado / responsável | Ocorrência, causa, ação e prazo |
Definições operacionais que evitam discussão:
- Apetite a risco: quanto de risco a entidade quer assumir em busca da missão (ex.: aceitar risco reputacional em campanha de incidência);
- Tolerância a risco: quão longe ela pode ir antes de a ameaça comprometer a missão (ex.: concentração da maior fonte em 30%);
- Gatilho datado: número + data + responsável. Sem data, gatilho é desejo.
A ISO 31000:2018 e o COSO ERM (2017) são adotados voluntariamente pelas OSC: não existe norma brasileira que os exija. Ainda assim, usá-los produz duas vantagens concretas: linguagem comum com financiadores e evidência de controle interno perante auditoria.
- 🔢 Você sabia? Associação e fundação sem fins lucrativos não podem pedir recuperação judicial. As 3ª e 4ª Turmas do STJ (2024 to 2025) assentaram que a Lei nº 11.101/2005 só alcança empregadores/empresários (arts. 1º e 2º): a exceção confirmada é das cooperativas médicas (ADI 7.442/STF). Tradução operacional para a seção 6.4: o plano de continuidade não pode contar com recuperação judicial como saída de crise; as saídas verificadas são acordo com credores, reestruturação administrativa ou dissolução limpa com destinação do patrimônio (art. 61 do Código Civil).
7. Indicadores: os 13 KPIs do painel trimestral
Um painel só é útil se for curto, comparável e com dono. A tabela abaixo é o conjunto mínimo que o conselho deve ver a cada trimestre, com fórmula, meta típica e fonte.
Área | KPI | Fórmula | Meta típica | Fonte |
|---|---|---|---|---|
Programa | % de metas atingidas | atingidas ÷ metas do período | ≥ 85% | Relatório de execução do objeto |
Programa | Custo por beneficiário concluinte | despesa ÷ concluintes | Decrescente vs. ano anterior | Contabilidade analítica |
Programa | Satisfação do beneficiário | média de 1 a 5 | ≥ 4,0 | Pesquisa (Lei art. 58, § 2º) |
Captação | Retenção anual de doadores | (início − perdidos) ÷ início | ≥ 45% | CRM |
Captação | Custo de captação | despesa de captação ÷ receita | ≤ 8,5% (ABCR) | Contabilidade |
Captação | Concentração da maior fonte | maior fonte ÷ receita total | ≤ 30% | Fluxo de caixa |
Captação | Número de fontes de financiamento | fontes ativas no período | ≥ 4 (média: 3,9) | Painel de fontes |
Financeiro | Reserva operacional (meses) | (caixa + aplicações) ÷ despesa mensal | ≥ 3 meses (ideal 6) | Balancete |
Financeiro | % de despesa com programa | programa ÷ despesa total | ≥ 75% | Contabilidade |
Pessoas | Turnover técnico | saídas ÷ headcount médio | ≤ 20% | RH |
TI/dados | % de bases com base legal mapeada | conformes ÷ total de bases | 100% | Inventário LGPD |
Conformidade | Prestações de contas no prazo | no prazo ÷ total | 100% | Transferegov.br/processo |
Conformidade | Achados de auditoria abertos | pendências sem data de encerramento | 0 | Relatório de auditoria |
7.1 Exemplo prático 5: dashboard de uma página (Power BI + CiviCRM)
Atualização mensal, três faixas:
- Topo (semestral): receita × meta; % da maior fonte = 27% (verde, ≤ 30%); reserva = 3,4 meses;
- Meio (mensal): % de metas = 88%; satisfação = 4,2; custo por beneficiário = R$ 847 (−6% vs. ano anterior); % de despesa com programa = 79%;
- Base (trimestral): retenção = 47%; captação = 7,9%; turnover = 18%; contas no prazo = 100%; achados de auditoria = 1.
Regra de operação do dashboard: 4 indicadores vermelhos → conselho em 15 dias. Sem esse gatilho, painel vira decoração. O painel existe para obrigar decisão com data, não para acumular slides.
7.2 Como montar o painel em quatro passos
- Escolha 13 indicadores, não 40. Três de programa, quatro de captação, dois de financeiro, um de pessoas, um de TI/dados e dois de conformidade: é o conjunto que um conselho consegue ler e discutir em 20 minutos;
- Defina fórmula, fonte e responsável antes de qualquer número. Sem fonte declarada, o KPI vira opinião: cada área passa a medir do seu jeito e a reunião vira disputa de dado;
- Fixe a cadência de atualização: semestral (receita × meta, concentração da maior fonte, reserva), mensal (metas, satisfação, custo por beneficiário, % de despesa com programa) e trimestral (retenção, custo de captação, turnover, contas no prazo, achados de auditoria);
- Publique a régua de cor e o gatilho na primeira página: verde no meta, amarelo a 10% da meta, vermelho fora da meta, e 4 vermelhos = conselho em 15 dias.
Faixa do painel | Cadência | Indicadores | Quem responde |
|---|---|---|---|
Topo | Semestral | Receita × meta; concentração da maior fonte; reserva em meses | Direção + conselho |
Meio | Mensal | % de metas; satisfação; custo por beneficiário; % de despesa com programa | Coordenação de projetos + financeiro |
Base | Trimestral | Retenção; custo de captação; turnover; contas no prazo; achados de auditoria | Captação + RH + conformidade |
- 🔢 Você sabia? No TIC OSCs 2025 (Cetic.br/CGI.br, divulgado em 07/07/2026, n = 1.306 organizações, campo entre junho e novembro de 2025), a adoção de nuvem para banco de dados saltou de 21% para 39% e de escritório de 11% para 32%, e 66% das OSCs já recebem doações por PIX.
8. Sustentabilidade: os 4 pilares
8.1 O mapa dos 4 pilares (formulação editorial deste curso)
Pilar | Pergunta | Indicadores-tipo | Evidência | Ancoragem |
|---|---|---|---|---|
Financeira | Dá para continuar em 12 meses sem uma fonte? | Concentração ≤ 30%; reserva ≥ 3 meses; retenção ≥ 45%; captação ≤ 8,5% | Fluxo de caixa, balancete, DRE por fonte | CAF/IDIS 2025; ABCR; Sitawi; León (2001) |
Programática | O que fazemos funciona e é auditável? | % de metas; satisfação; indicadores de resultado | REO, painel, avaliação externa | MROSC arts. 58, 59, 64 e 66; MEAL DPro |
Humana/organizacional | A equipe aguenta e há sucessão? | Turnover; clima; formação; cobertura de cargos | Pesquisa de clima, matriz de competências | OSAT (capitais organizational e human) |
Ambiental/comunitária | O território nos legitima e a pegada não degrada? | Energia, resíduo, deslocamentos; participação; temas materiais | Inventário ambiental, atas de escuta | GRI (temas materiais); OSAT |
8.2 As regras de ouro da sustentabilidade financeira
Benchmarks do setor brasileiro (usados como guard-rails, não como norma):
Indicador | Valor | Fonte/ano |
|---|---|---|
Sustentabilidade financeira entre os 3 desafios urgentes | 81% (média global 80%) | CAF + IDIS, World Giving Report 2025 (170 orgs, mar: jun/2025) |
Fontes de financiamento por ONG | 3,9 | idem |
Recursos restritos | 68% | idem |
Retenção anual de doadores | ~45% | ABCR (bench) |
Teto por fonte única | ≤ 30% do orçamento | ABCR |
Investimento em captação | ≈ 8,5% do orçamento | ABCR |
Salário médio de captador | R$ 5.330 | ABCR (levantamento próprio) |
Reserva operacional | 3 meses (ideal 6); NORI: 25% do orçamento | Sitawi / NORI |
Custos indiretos no MROSC | sem teto (15% revogado) | Lei nº 13.019/2014, art. 46, III |
Remanejamento sem autorização prévia (federal) | ≤ 10% do valor global | Decreto nº 8.726/2016, art. 43, § 4º |
Ampliação por termo aditivo (federal) | até 50% do valor global | Decreto nº 11.948/2024 |
Contas finais / relatórios finais | 90 dias / 30 e 60 dias | Lei art. 69; Decreto art. 65 |
8.3 Exemplo prático 6: reserva operacional mínima, passo a passo
- Despesa mensal = despesa anual ÷ 12;
- Reserva = meses pretendidos × despesa mensal;
- Ajuste pela restrição: caixa restrito não cobre o núcleo administrativo.
Exemplo: orçamento anual de R$ 1.020.000 → despesa mensal de R$ 85.000; piso de 3 meses = R$ 255.000; meta de 6 meses = R$ 510.000. Com R$ 180.000 restritos a um projeto, a reserva livre é de R$ 75.000, isto é, 0,9 mês → recarga em 12 parcelas de R$ 15.000 de doação irrestrita. Benchmark NORI: piso de 25% do orçamento anual (≈ 3 meses).
8.4 Exemplo prático 7: retenção e custo de captação (cálculo + decisão)
- Retenção: início do ano com 2.000 doadores; 1.100 perdidos no período → retenção = (2.000 − 1.100) ÷ 2.000 = 45%.
- Custo de captação: R 1.100.000 = 8,5% (referência ABCR).
- Decisão: se o custo de aquisição digital estiver alto, migre esforço para recorrência via PIX (66% das OSCs já recebem, TIC OSCs 2025) e para apoio institucional irrestrito.
- Guard-rail: fonte acima de 30% → plano de diversificação antes da saída, não depois.
Como responder
Exercício de associação com 5 pares. Associe cada item à esquerda com a resposta à direita.
Associe cada KPI à sua fórmula correta:
Arraste as respostas daqui:
8.5 Estratégias de receita e os limites de cada uma
Estratégia | Objetivo | Guard-rail |
|---|---|---|
Reserva operacional | Margem de segurança para lacunas e crises | 3 meses (piso) a 6 meses (ideal); só para emergência |
Diversificação de receita | Reduzir dependência de poucas fontes | Nenhuma fonte acima de 30% |
Renda própria (earned income) | Menor dependência de doação | Compatível com o objeto; sem descaracterizar a finalidade não econômica |
Recorrência via PIX e doador individual | Base ampla e previsível | Custo de captação ≤ 8,5% |
Fundos e endowment | Renda de longo prazo | Regra de gasto e liquidez; política de investimento aprovada pelo conselho |
Erro comum: usar a reserva para financiar expansão ou déficit recorrente. Reserva que vira orçamento de projeto não é reserva: é contingência disfarçada. Assim que ela é consumida por despesa corrente, a entidade volta ao R$ 75.000 livres do exemplo 8.3 e, no primeiro atraso de convênio, corta programa.
8.6 Diagnóstico anual de sustentabilidade: OSAT, León e os guard-rails ABCR
Quatro instrumentos se complementam no diagnóstico anual:
Instrumento | O que cobre | Uso operacional |
|---|---|---|
OSAT: Organizational Sustainability Assessment Tool | 5 capitais: humano, organizacional, financeiro, social e intelectual | Questionário anual de autodiagnóstico, comparável ano a ano |
León (2001) | 4 pilares da sustentabilidade financeira: planejamento, diversificação da receita, gestão adequada e receitas próprias | Roteiro da conversa da pilar financeira com o conselho |
Panorama / CAF + IDIS (2025) | Retrato externo do setor (81%, 3,9 fontes, 68% restritos) | Benchmark externo: onde a entidade está em relação ao setor |
Guard-rails ABCR | Fonte ≤ 30%; captação ≈ 8,5%; retenção ≈ 45% | Limites operacionais que disparam plano de diversificação |
Repertório de sustentabilidade da equipe: OSAT no diagnóstico anual; León (2001) quando o assunto for a pilar financeira; o Panorama CAF/IDIS como espelho externo; e os guard-rails da ABCR como limites de decisão. Nenhum dos quatro é norma legal: são referências de gestão, e devem ser apresentados assim em relatório.
Roteiro de uma reunião de sustentabilidade (90 minutos):
- 15 min: leitura do painel (13 KPIs) e destaque dos vermelhos;
- 20 min: pilar financeira: concentração da maior fonte, reserva em meses, custo de captação e retenção;
- 20 min: pilar programática: % de metas, satisfação, evidências e glosas do período;
- 15 min: pilar humano: turnover, clima, cobertura de cargos e sucessão;
- 10 min: pilar ambiental/comunitária: temas materiais, escuta do território e pegada;
- 10 min: decisões com dono e data (quem faz o quê até quando), registradas em ata.
8.7 Plano de sustentabilidade: 3 perguntas por pilar
Para cada um dos 4 pilares, o conselho deve sair da reunião com uma pergunta respondida, um número-âncora e uma ação datada:
Pilar | Pergunta obrigatória | Número-âncora típico | Ação que costuma sair da reunião |
|---|---|---|---|
Financeira | Dá para continuar em 12 meses sem uma fonte? | Concentração ≤ 30%; reserva ≥ 3 meses | Recarga da reserva em parcelas mensais de doação irrestrita |
Programática | O que fazemos funciona e é auditável? | % de metas ≥ 85%; satisfação ≥ 4,0 | Matriz de indicadores revisada com base na pesquisa de satisfação |
Humana/organizacional | A equipe aguenta e há sucessão? | Turnover ≤ 20% | Plano de cargos e sucessão para os papéis críticos |
Ambiental/comunitária | O território nos legitima? | Participação em escuta e temas materiais | Calendário de escuta com atas publicadas |
9. Pessoas, dados, tecnologia e salvaguarda
9.1 Pessoas: o ativo que mais trava a operação
- Planejamento de pessoal: descrição de cargo, matriz de competências, sucessão para papéis críticos e orçamento de pessoal;
- Riscos humanos já aparecem na matriz 5×5: rotatividade técnica > 30%/ano (nível 12: alto) e sobrecarga/burnout;
- KPI de referência: turnover técnico ≤ 20%;
- Voluntariado: função descrita com o mesmo rigor de cargo remunerado, integração, registro de horas, seguro e desligamento formal.
9.2 Dados, tecnologia e LGPD
A LGPD (Lei nº 13.709/2018) se aplica integralmente às OSC:
- art. 5º, XVII: Relatório de Impacto à Proteção de Dados Pessoais (RIPD);
- art. 5º, XVIII: a OSC sem fins lucrativo é equiparada a órgão de pesquisa para fins da lei;
- arts. 7º e 11: bases legais; dados sensíveis;
- art. 14: dados de crianças e adolescentes, com melhor interesse;
- art. 18, direitos do titular; art. 41, encarregado (DPO);
- art. 48, comunicação de incidentes; arts. 33 a 36, transferência internacional.
Prática recomendada: inventário de dados, base legal por tratamento, minimização, retenção, cláusula de dados no instrumento de parceria e política de fotos/imagem.
Ferramenta | Uso operacional | Exemplo |
|---|---|---|
CRM de doadores | Histórico, recorrência, retenção | CiviCRM, Salesforce Power of Us |
Painéis de dados | Painel do conselho e dashboard | Power BI, Metabase |
Receita recorrente | Campanhas e doação instantânea | PIX (66% das OSCs: TIC OSCs 2025) |
Gestão documental | Processo de parceria e guarda | Transferegov.br + retenção de 10 anos (art. 68) |
Coleta em campo | Pesquisa de satisfação e baseline | Plataformas móveis de formulário |
- 🔢 Você sabia? O mesmo TIC OSCs 2025 (Cetic.br, 07/07/2026; n = 1.306) mostra e-mail em nuvem subindo de 19% para 36%, 1/3 das organizações usando IA, 90% usando internet no trabalho e apenas 31% com treinamento interno de LGPD, o elo mais fraco do conjunto.
9.3 Salvaguarda: proteção de crianças e adolescentes
- CF art. 227 e ECA art. 13: dever de proteção e comunicação ao Conselho Tutelar em suspeita de violação;
- LGPD art. 14: tratamento de dados de crianças no melhor interesse;
- referência aberta de política: ChildFund Brasil: Política de Salvaguarda (jan/2024).
Não há norma brasileira específica que obrigue OSC a ter política de salvaguarda. O que existe é o dever constitucional/estatutário de proteger (CF art. 227; ECA art. 13) e a exigência contratual comum de financiadores. Na matriz de riscos, a ausência de política em atividade com crianças é risco crítico (15) com resposta eliminar: ou seja, política formal + 100% da equipe treinada, e não "orientação informal".
9.4 Todos os prazos da operação em uma tabela só
Prazo | O que é | Base |
|---|---|---|
15 dias após a seleção | Envio do plano de trabalho (prazo-tipo federal) | Ciclo do programa, etapa 3 |
≥ 30 dias | Exposição do chamamento público | Lei arts. 24 e seguintes; Decreto art. 11 |
≥ 30 dias de antecedência do fim da vigência | Pedido de aditivo ou apostilamento | Prática operacional; Lei arts. 55 e 57 |
≤ 10% do valor global | Remanejamento sem autorização prévia, com comunicação posterior | Decreto art. 43, § 4º (red. Decreto nº 11.948/2024) |
≤ 50% do valor global | Ampliação por termo aditivo (federal) | Decreto art. 43 (red. Decreto nº 11.948/2024) |
1×/ano (vigência > 1 ano) | Pesquisa de satisfação com beneficiários, "sempre que possível" | Lei art. 58, § 2º |
Trimestral | Painel/relatório de monitoramento e avaliação | Prática operacional; Lei art. 58 |
90 dias | Contas finais apresentadas pela OSC | Lei art. 69 |
30 dias | REO final (âmbito federal) da notificação | Decreto art. 65 |
60 dias | REF final (âmbito federal) da notificação, prorrogáveis por 15 | Decreto art. 65 |
180 dias após o encerramento | Publicação das informações pela administração pública | Lei art. 10 |
30 dias | Bens e saldos no encerramento | Lei art. 67 |
10 anos | Guarda dos documentos de parceria | Lei art. 68 |
- 🔢 Você sabia? A retenção de 10 anos de documentos (art. 68) convive com a publicação ativa do art. 10 (180 dias) e com o dever de divulgar remuneração da equipe do art. 11, VI. Transparência, aqui, não é gesto de boa vontade: é prazo com consequência.
9.5 Gestão documental: o mínimo que precisa existir
Documento | Onde nasce | Guarda |
|---|---|---|
Plano de trabalho assinado + anexos | Etapa 5 (celebração) | 10 anos (art. 68) |
Regulamento de compras aprovado | Etapa 5 | 10 anos |
Processo de compra (requisição → pesquisa → julgamento → recebimento → pagamento) | Etapa 6 (execução) | 10 anos |
Painel de indicadores e pesquisa de satisfação | Etapa 7 (M&A) | 10 anos |
Termo aditivo ou certidão de apostilamento | Etapa 8 (alterações) | 10 anos |
REO, REF e evidências das metas | Etapa 9 (prestação de contas) | 10 anos |
Avaliação final, bens e sobras | Etapa 10 (encerramento) | 10 anos |
Inventário de bases legais e RIPD (LGPD) | Contínuo | Enquanto houver tratamento + prazo legal |
A defesa da entidade na etapa 9 é documental, não narrativa. Quando a administração questiona uma meta ou um preço, não adianta explicar: é preciso mostrar. Por isso o painel (seção 7) e a gestão documental (esta seção) são a mesma coisa vistas de ângulos diferentes: um para decidir, o outro para provar.
10. Operações e Execução na Prática: Casos Reais
10.1 Por que ler casos pela operação
Os números desta seção vêm de uma pesquisa com 11 casos verificados (7 brasileiros e 4 internacionais), todos com CNPJ, registro estatutário ou demonstração financeira localizada: nenhuma cifra aqui é estimativa própria, e o que não foi confirmado em fonte primária aparece sinalizado na seção 12.
O recorte desta aula é o da própria pesquisa: TETO Brasil e Habitat for Humanity mostram que produto padronizado + rede federada = escala com custo controlado; dois casos completam a leitura: BRAC (a operação que se autofinancia) e Médicos Sem Fronteiras (logística medida em meses de caixa). Três leituras valem antes de copiar qualquer número:
- Nenhum dos 11 depende majoritariamente de verba pública: a MSF tem 97,9% de receita privada (2024) e o Todos Pela Educação declara não receber recursos públicos, execução em escala com recurso privado existe, e é ela que mantém a entidade fora da dependência de um único repasse;
- Escala só é comparável com a métrica declarada: TETO reporta 5.000 famílias acumuladas (dez/2024), Fundação Itaú 5,16 milhões de pessoas (2024), Atados 290 mil voluntários (2024), BRAC 1 em cada 7 bengaleses (2025) e Habitat 3,03 milhões de pessoas com moradia (FY2024): "atendidos", "formados" e "cubertos" medem coisas diferentes;
- Concentração é o risco nº 1 dos balanços: Instituto Ayrton Senna 62% da receita em royalties de marca (2024), Instituto Sou da Paz 65% de fundações do exterior (2022) e Fundação Itaú 93% de receitas financeiras (2024): operação eficiente com fonte única é operação frágil, exatamente o risco crítico da matriz da seção 6.2.
QUATRO CASOS, QUATRO ALAVANCAS OPERACIONAIS
REDE + VAREJO .................. HABITAT FOR HUMANITY (FY2024)
afiliado autônomo com 3,03 mi de pessoas com
contabilidade própria; moradia; sede US$ 362,1 mi
a sede consolida, audita e rede estimada em
a marca e opera as US$ 3,1 bi; lojas ReStore
ReStore devolvem receita recorrente
|
v
PRODUTO PADRONIZADO ............ TETO BRASIL (2024)
casa montada em 2 dias 113 moradias, 76 projetos
por voluntariado jovem; e 8.134 voluntários;
métrica auditada pela FGV 5.000ª moradia em dez/2024
|
v
OPERAÇÃO QUE SE AUTOFINANCIA ... BRAC (exercício 2023-24)
microfinanças + empresas a doação cai a 10% da
sociais = 87,6% da receita; receita; +100 mil
auditoria e reserva de funcionários em 15
10% do superávit países
|
v
LOGÍSTICA COM CAIXA ............. MÉDICOS SEM FRONTEIRAS (2024)
10 países concentram 79% da receita à
58,2% da despesa de missão; reservas de
programas 4,4 meses (seção francesa)
REGRA DE USO: copie a alavanca, não o número. Todo número
só entra em relatório com métrica, fonte e ano declarados.10.2 Habitat for Humanity (EUA, 1976), franquia social: execução local, marca consolidada
O que fizeram. Organização 501(c)(3) estruturada como rede federada de afiliados autônomos em mais de 70 países, dedicada a moradia simples e acessível com sweat equity e hipoteca sem lucro. Cada afiliado tem contabilidade própria; a Habitat for Humanity International (HFHI) consolida, audita a marca e publica o Form 990.
Números verificados (FY2024):
Item | Valor |
|---|---|
Receita da sede (HFHI) | US$ 362,1 mi: contribuições US$ 234,6 mi, itens doados US$ 51,7 mi e grants públicos US$ 28,3 mi |
Rede (estimativa, não auditada) | US$ 3,1 bi: contribuições 49%, casas 24% e itens 20% |
Moradias | 3.035.972 pessoas com moradia; +5,3 milhões por advocacy; +62 milhões desde 1976 |
Varejo e crédito | lojas ReStore em operação e NMTC de US$ 130 mi desde 2008 |
Cadeia de suprimentos e logística. O produto é padronizado (casa simples com participação do futuro morador), e o varejo de itens doados (ReStore) fecha o ciclo: doação → triagem → venda → recurso recorrente para a próxima obra. O financiamento é deliberadamente misto, contribuição, venda de casa, item doado e grant público, para que a perda de uma linha não pare a produção.
Tecnologia e controle. A escala não vem de sistema central, mas de padrão de marca + prestação de contas local: cada afiliado presta contas do que é dele, e a sede audita a marca. Por isso a receita da rede é estimativa não auditada (seção 12): comparar sede e rede sem aviso metodológico é comparação inválida.
Lição operacional. Franquia social combina padrão global com prestação de contas local: padronize o objeto, decentralize a execução e audite a marca. Em relatório e em proposta, separe sempre sede auditada × rede estimada e declare o exercício (FY2024): sem isso, o primeiro auditor pergunta qual dos dois números é o seu.
10.3 TETO Brasil (Brasil, 2006), produto padronizado: escala com custo controlado
O que fizeram. Um Teto para Meu País: Brasil (CNPJ 10.513.214/0001-15), no Brasil desde 2006, integrante da rede TECHO em 19 países, dedica-se a habitação emergencial e infraestrutura em favelas, com voluntariado jovem e o Mapa de Direitos.
Números verificados (2024): 113 moradias, 76 projetos e 8.134 voluntários; acumulado de +90 mil voluntários e +327 projetos; 5.000ª moradia entregue em dez/2024 (Diadema); meta de 1 milhão de pessoas até 2030.
Cadeia de suprimentos e logística. O insumo é o voluntariado (mais material e transporte), e o produto é a casa padronizada montada em 2 dias: a padronização é o que permite escalar com custo controlado sem virar construtora: mesma peça, mesma instrução, qualquer equipe. A avaliação de impacto com a FGV terceiriza a prova do que foi entregue.
Financiamento da operação. Doações individuais e institucionais, eventos e parcerias (Fundação Tide Setubal, Airbnb e Fuplastic); o jantar de dez/2025 captou ~R$ 1,8 milhão: declaração da organização, sem balanço auditado localizado (seção 12).
Lição operacional. Escala com voluntariado só funciona com produto padronizado, instrução reproduzível e métrica declarada: "moradias entregues", não "pessoas impactadas". Sem a métrica escrita no art. 22, IV, o comparativo ano a ano (e a renovação da parceria) simplesmente não existem; e sem terceiro independente, o número vira narrativa.
10.4 BRAC (Bangladesh, 1972): a operação que se autofinancia
O que fizeram. Criada em 21/03/1972, por Fazle Hasan Abed, como sociedade registrada sob o Societies Registration Act 1860 (n. 3695/3), atuando em pobreza, saúde, educação, WASH, microfinanças e resposta humanitária.
Números verificados (exercício encerrado em 30/06/2024): receita de BDT 140,6 bi: microfinanças BDT 94,9 bi (67,5%), empresas sociais BDT 28,3 bi (20,1%) e doações de doadores BDT 14,1 bi (10,0%); no exercício anterior, BDT 125,3 bi.
Escala e governança da execução: em 2024, 1 em cada 5 bengaleses foi atendido e 2,3 milhões de pessoas saíram da pobreza extrema; em 2025, cerca de 26 milhões de pessoas (1 em cada 7), 19 milhões de mulheres e 312 mil famílias graduadas, com +100 mil funcionários em 15 países. O governing body se reúne 5 vezes por ano, a assembleia ocorreu em 19/03/2024, a auditoria é da ACNABIN e existe reserva estatutária de 10% do superávit.
Lição operacional. Aqui a "cadeia de suprimentos" é a própria rede de agências de microcrédito e de empresas sociais: a operação paga a operação, e a doação (10% do total) cobre saúde, WASH e incidência. A tradução para a sua entidade é a da seção 8.3: receita própria é o que sustenta o núcleo, e a reserva estatutária de 10% do superávit é o equivalente institucional da reserva operacional de 3 meses. Valores em taka: conversão em moeda estrangeira seria estimativa própria (seção 12).
10.5 Médicos Sem Fronteiras (França, 1971): logística humanitária medida em caixa
O que fizeram. Fundada em Paris em 22/12/1971 por 13 profissionais, como associação sem fins lucrativos da Lei francesa de 1901; são 24 seções, 18 filiais e a MSF International em Genebra, com auditoria sob Swiss GAAP FER e contas combinadas auditadas pela EY.
Números verificados (2024): receita de € 2.362 milhões (€ 2,6 bilhões em 2025): 97,9% de origem privada, com € 2.015 milhões (85,3%) de pessoas físicas e apenas 2,1% público; +7,1 milhões de doadores em 2024 e +7,5 milhões em 2025.
Logística e distribuição da despesa: +65 mil profissionais, +17 milhões de consultas e 10 países concentram 58,2% da despesa de programas (2024): concentração geográfica é decisão logística documentada, não acidente; a MSF recusa fundos públicos da União Europeia desde 2016.
- 🔢 Você sabia? No Médicos Sem Fronteiras, 79% da receita foi aplicada na missão social em 2024 e, na seção francesa, € 90,1 de cada € 100 foram para as missões, com reservas de 4,4 meses de caixa. Em operação de campo, dois KPIs explicam todo o resto: % da receita entregue à missão e reserva em meses: os mesmos guard-rails que o painel da seção 7 cobra da OSC brasileira, aqui auditados em contas combinadas. A diferença é que, em terreno, a reserva não é conforto patrimonial: é combustível de entrega.
Tabela: os quatro casos, a alavanca operacional de cada um:
Caso | Alavanca operacional | Número verificado (ano) | Lição operacional |
|---|---|---|---|
Habitat for Humanity | Rede federada + varejo de itens doados (ReStore) | 3,03 mi de pessoas com moradia; sede US$ 362,1 mi × rede estimada US$ 3,1 bi (FY2024) | Padrão global com contabilidade local; separe sempre sede auditada × rede estimada |
TETO Brasil | Produto padronizado montado com voluntariado | 113 moradias, 76 projetos e 8.134 voluntários (2024) | Padronizar (casa em 2 dias) é o que permite escalar com custo controlado; audite a métrica com terceiro |
BRAC | Receita própria financiando a execução | Microfinanças 67,5% + empresas sociais 20,1%; doação 10% (2023-24) | Quem opera em escala financia a operação com operação; reserva de 10% do superávit |
Médicos Sem Fronteiras | Logística + captação individual em escala | 79% à missão; 10 países = 58,2% da despesa; reservas 4,4 meses (2024) | Meça a operação em meses de caixa e em % entregue à missão |
Copie a alavanca, não o número. Repetir "3 milhões de atendidos" sem a métrica, a fonte e o ano é a forma mais rápida de transformar um caso bem-feito em pergunta desconfortável na auditoria. Antes de importar um caso para o seu plano: (i) qual é a alavanca (padrão, rede, receita própria, caixa)? (ii) qual é a métrica declarada no art. 22, IV? (iii) quem audita essa métrica: a própria entidade, um terceiro ou ninguém? Se a resposta for "ninguém", o caso ainda não é seu.
11. Erros comuns que derrubam a operação
Lista de verificação antes de qualquer proposta, auditoria ou prova:
- Usar o art. 47 (15%) como teto de custos indiretos: revogado; vale o art. 46, III ("seja qual for a proporção"), com discriminação no plano e memória de cálculo no rateio;
- Usar o art. 56 da Lei (25% de remanejamento): revogado; vale o art. 43, § 4º, do Decreto nº 8.726/2016: até 10% sem autorização prévia e aditivo até 50%;
- Exigir do plano de trabalho os incisos V a X do art. 22 (cotações, plano de aplicação, cronograma de desembolso, periodicidade de contas): revogados; os preços aparecem no Decreto art. 25, § 1º e o desembolso no art. 25, VI;
- Confundir compras com custos indiretos ou com taxa de administração: regimes distintos; a taxa é vedada;
- Celebrar sem regulamento de compras aprovado pela administração celebrante (art. 34, VIII): anexo obrigatório;
- Não prever pesquisa de satisfação em parceria com vigência > 1 ano: a lei manda fazê-la "sempre que possível" (art. 58, § 2º);
- Entregar contas fora da tríade 90/30/60 ou sem REO e REF (arts. 66 e 69; Decreto art. 65);
- Omitir a remuneração da equipe da publicação do art. 11, parágrafo único, VI;
- Relatar só produtos, sem resultados: caminho direto para glosa (art. 64) e classificação de contas irregulares (art. 72, III, "b");
- Consumir a reserva com despesa corrente e descobrir a fragilidade só quando o financiador avisar.
Caso resolvido: a parceria de 2 anos que entrou no art. 58, § 2º. Uma OSC com parceria de 24 meses e 88% de metas atingidas viu a parceria entrar na hipótese de pesquisa de satisfação. A equipe respondeu com uma pesquisa de satisfação de 5 perguntas (média 4,2), incorporou duas mudanças de método no segundo ano e registrou as alterações por apostilamento (art. 57). Resultado: o relatório de M&A do art. 59, § 1º, II, passou a demonstrar o impacto do benefício social pelos indicadores aprovados, e a classificação final foi regular. A alternativa: não pesquisar: teria deixado a meta desatualizada e aberto caminho para glosa.
Caso resolvido, a entidade que descobriu o teto que não existe. Em reunião de orçamento, a coordenação propôs "reduzir custos indiretos para 15% por causa do art. 47". O financeiro conferiu a redação vigente: art. 47 revogado pela Lei nº 13.204/2015. A decisão correta foi manter o custo indireto necessário (art. 46, III), detalhá-lo no plano de trabalho (Decreto art. 25, V) e demonstrar a compatibilidade com o mercado por um elemento, no caso, ata de registro de preços (Decreto art. 25, § 1º, red. Decreto nº 11.948/2024). A proposta foi aprovada sem glosa de sobreestrutura.
Armadilha de conformidade 2026: prometer benefício fiscal que o doador não tem mais. Em 2026, quem escreve proposta para pessoa jurídica precisa conferir três documentos antes de digitar "doação dedutível": (i) a LC nº 224/2025, de 26/12/2025, reduziu linearmente 10% de todos os incentivos federais: IRPJ e II desde 01/01/2026 e os demais tributos federais desde 01/04/2026; (ii) a IN RFB nº 2.307/2026 revogou o item 26 do Anexo Único: a dedução de doações de PJ a OSCs e OSCIPs (2% do lucro operacional: Lei nº 9.249/1995, art. 13, § 2º, III) entrou no corte, enquanto se mantém o item 34 (isenção de IRPJ, CSLL e COFINS do art. 15 da Lei nº 9.532/1997); (iii) a LC nº 235/2026, de 27/08/2026, reescreveu o inciso V do § 8º do art. 4º da LC nº 224 justamente para ressalvar os benefícios de PJ sem fins lucrativos. Seguem pendentes a ADI 7.920 (CNI vs. LC nº 224, STF) e o PLC 11/2026, que tenta restringir esse inciso. Ação: guarde no dossiê o item 34 + o inciso V com a redação da LC nº 235/2026 + o FAQ da RFB (o Anexo não é exaustivo) e não prometa percentual de dedução em proposta sem conferir a norma na data da assinatura. E na mesma janela, 2026 é o ano-teste da reforma tributária: CBS de 0,9% e IBS de 0,1%, compensados com PIS/COFINS no período (Decreto nº 12.955/2026, art. 582; Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1/2025): patrocínio com contrapartida já é fato gerador, negocie-o como custo, não como favor.
12. Limites desta pesquisa: itens não verificados
Para você não transformar lacuna de pesquisa em afirmação categórica:
- "4 pilares (financeira, programática, humana, ambiental)": síntese editorial deste curso; fontes próximas: OSAT (5 capitais) e León (2001) (4 pilares financeiros). Não atribua a contagem ao autor sem abrir a obra;
- ISO 31000 e COSO em OSC: adoção voluntária; não há norma brasileira que os exija;
- Norma brasileira de salvaguarda infantil específica para OSC: não localizada; há o ECA (arts. 13 e 227), a política do Conanda e políticas de financiadores (ChildFund, jan/2024);
- Retenção ~45%, captação 8,5% e salário de captador de R$ 5.330: números da ABCR (palestra e levantamento próprio), com método não publicado;
- Reserva de 3 a 6 meses (Sitawi) e 25% do orçamento (NORI): recomendação de consultoria/benchmark, não norma;
- Recursos restritos: 68% (2025): há divergência entre edições (72% em 2026): cite sempre o ano;
- Composição de despesa (captação, administração, programa): números de blog, ordem de grandeza apenas;
- Google Ad Grants (US$ 10 mil/mês): elegibilidade não reconfirmada nesta pesquisa; verificar antes de prometer;
- "Programa Criança" como franquia social e casos como "Gerando Falcões" e "CDI": sem fonte primária aberta nesta pesquisa (existe o Programa Criança Feliz/MDS); não use como caso comprovado;
- Habitat for Humanity (seção 10.2): a rede estimada em US$ 3,1 bi (FY2024) é estimativa não auditada: só a sede (US$ 362,1 mi) corresponde a demonstração financeira localizada; sem aviso metodológico, comparar os dois números é inválido;
- TETO Brasil (seção 10.3): a captação de ~R$ 1,8 milhão no jantar de dez/2025 é declaração da organização, sem balanço auditado localizado;
- BRAC (seção 10.4): os valores são em taka (BDT) e referem-se ao exercício encerrado em 30/06/2024; conversão para moeda estrangeira seria estimativa própria: cite a moeda original e o exercício.
Perguntas Práticas (Practice Questions)
Como responder
Questão de múltipla escolha com 4 opções. Selecione uma opção e escolha Verificar resposta.
No MROSC atual, o plano de trabalho deve conter:
Como responder
Questão de múltipla escolha com 4 opções. Selecione uma opção e escolha Verificar resposta.
Sobre o teto de custos indiretos em parceria pelo MROSC:
Como responder
Questão de múltipla escolha com 4 opções. Selecione uma opção e escolha Verificar resposta.
Sobre remanejamento de recursos no plano de trabalho:
Como responder
Questão de múltipla escolha com 4 opções. Selecione uma opção e escolha Verificar resposta.
A OSC deve divulgar em seu site, quando pagos com recursos da parceria:
Como responder
Questão de múltipla escolha com 4 opções. Selecione uma opção e escolha Verificar resposta.
Parceria com vigência de 2 anos: o que a lei determina sobre avaliação?
Como responder
Questão de múltipla escolha com 4 opções. Selecione uma opção e escolha Verificar resposta.
Prestação de contas em que a OSC não atingiu 40% das metas sem justificativa:
Como responder
Questão de múltipla escolha com 4 opções. Selecione uma opção e escolha Verificar resposta.
Prazos de prestação de contas (Lei × Decreto federal):
Como responder
Questão de múltipla escolha com 4 opções. Selecione uma opção e escolha Verificar resposta.
Sobre sustentabilidade financeira, os números corretos são:
Como responder
Questão de múltipla escolha com 4 opções. Selecione uma opção e escolha Verificar resposta.
Qual o conjunto correto das exigências de compras em parceria pelo MROSC?
Como responder
Questão de múltipla escolha com 4 opções. Selecione uma opção e escolha Verificar resposta.
Sobre a LGPD em ONG, é correto afirmar:
Como responder
Questão de múltipla escolha com 4 opções. Selecione uma opção e escolha Verificar resposta.
A Habitat for Humanity publicou US$ 362,1 milhões para a sede e estimou US$ 3,1 bilhões para a rede no mesmo exercício (FY2024). A leitura correta é:
Como responder
Questão de múltipla escolha com 4 opções. Selecione uma opção e escolha Verificar resposta.
Qual irregularidade levou o TCU a suspender repasses do MTE a duas entidades (Acórdão 1355/2025-Plenário, 18/06/2025)?
Como responder
Exercício de preenchimento com 5 lacunas. Digite as palavras que faltam e verifique a resposta.
Complete os números de operações e sustentabilidade vistos na lição:
No MROSC, o remanejamento sem autorização prévia alcança até espaço do valor global e o termo aditivo pode ampliar o valor global em até espaço. A reserva operacional mínima recomendada cobre espaço meses de despesa, a concentração da maior fonte deve ficar em até espaço% da receita e a prestação de contas final da OSC ocorre em até espaço dias.
Banco de Palavras, arraste as palavras para os espaços acima:
Armadilhas desta lição:
- Art. 47 (15% de custos indiretos) e art. 56 (25% de remanejamento) estão revogados: usar qualquer um dos dois como teto é erro de proposta, de prestação de contas e de prova;
- Compras ≠ custos indiretos ≠ taxa de administração: só o regulamento de compras aprovado (art. 34, VIII) sustenta a compatibilidade de preços;
- Relatar produtos em vez de resultados leva a glosa (art. 64) e a contas irregulares (art. 72, III, "b");
- Parceria com vigência > 1 ano exige pesquisa de satisfação (art. 58, § 2º): ela é a prova de que as metas foram reorientadas;
- Reserva consumida por despesa corrente não é reserva: recurso restrito não cobre o núcleo administrativo;
- Fonte única acima de 30% é dependência, mesmo que a receita total cresça;
- Painel sem gatilho é decoração: 4 indicadores vermelhos obrigam reunião de conselho em 15 dias;
- Sem regulamento de compras aprovado e sem inventário de bases legais, a entidade chega na etapa 9 do ciclo sem evidência defensável.
Pontos Principais (Key Takeaways):
- Operações são o backstage da missão: ciclo do programa em 10 etapas, das quais as etapas 3 a 9 são exigência legal expressa do MROSC e as etapas 1, 2 e 10 são boas práticas (PM4NGOs/SPHERE);
- O plano de trabalho hoje contém só os arts. 22, I, II, II-A, III e IV: os incisos V a X foram revogados pela Lei nº 13.204/2015, e o detalhe está no Decreto nº 8.726/2016, art. 25;
- Custos indiretos não têm teto (art. 46, III), o art. 47 foi revogado, mas exigem discriminação no plano, memória de cálculo no rateio e vedam taxa de administração;
- Ciclo de compra, alteração e fechamento: regulamento de compras aprovado (art. 34, VIII), aditivo até 50% e remanejamento de 10% sem autorização prévia (Decreto art. 43), contas finais em 90 dias e relatórios finais em 30 e 60 dias;
- Riscos se gerem com matriz 5×5 e resposta de eliminar, reduzir, compartilhar ou aceitar (ISO 31000:2018, adoção voluntária): todo risco crítico precisa de dono, resposta e gatilho datado;
- O painel do conselho tem 13 KPIs, com metas de ≥ 85% de metas atingidas, ≥ 4,0 de satisfação, ≥ 45% de retenção, ≤ 8,5% de captação, ≤ 30% de concentração e ≥ 3 meses de reserva;
- Sustentabilidade tem 4 pilares (financeira, programática, humana/organizacional e ambiental/comunitária): formulação editorial do curso, próxima do OSAT (5 capitais) e de León (2001);
- Reserva, retenção e diversificação são decisões antes da crise: 3 a 6 meses de reserva livre, nenhuma fonte acima de 30% e plano de diversificação acionado quando a maior fonte cruzar esse limite.